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1. O que é o anglicanismo?

O fenômeno do Anglicanismo tem adquirido cada dia mais notoriedade no mundo inteiro. Não é de se estranhar, pois, que muitos se perguntem sobre o significado do termo e sua origem. Alguns podem pensar que o Anglicanismo é o produto acabado da Reforma Protestante na Inglaterra do século XVI. Nada mais falso. Na verdade a reforma inglesa, pelo menos durante o reinado de Henrique VIII, teve um caráter mais político que teológico. No entanto, o ambiente político, social e cultural daquela época proporcionou as bases para gerar a semente daquilo que, séculos depois, seria o Anglicanismo.

2. Os termos “anglicano” e “anglicanismo”

Esses vocábulos têm a mesma origem: a palavra latina anglicanus que significa “inglês”. Desde o Papa Gregório Magno, no início do século VII, que se conhece a “igreja dos ingleses”(eclessia Anglorum). É claro que naqueles tempos, a expressão “igreja da Inglaterra” (Eclessia anglicana) carecia de conotações nacionais, patrióticas ou ideológicas, e era usada simplesmente para designar uma demarcação geográfica.

Mesmo quando Juan Jewel (1522-1571) e Richard Hooker (1554-1600) escreviam suas apologias em defesa da igreja da Inglaterra, acompreensão de “igreja anglicana” é bem diferente do que hoje compreendemos como Anglicanismo. Será somente com John Newman (1801-1890) em 1838, que a palavra passará a ter as implicações teológicas de hoje. A expressão “Comunhão Anglicana” foi utilizada pela primeira vez pelos bispos americanos, enviados em 1847 a Constantinopla para conversações ecumênicas com as igrejas orientais.

3. A defesa da Igreja da Inglaterra

É interessante observar que a igreja inglesa nunca se preocupou em ressaltar ou definir, de uma maneira teórica definitiva sua, “identidade doutrinal” (como fizeram as igrejas da reforma ou Romana). Foi somente em resposta aos ataques recebidos, por outras igrejas ou movimentos, que se elaborou uma síntese teológica das suas principais características. Vejamos alguns dos aspectos dessas respostas.

Durante os séculos XVI e XVII, a Igreja Anglicana teve que se defende dos ataques romanos e puritanos. Contra Roma defendeu sua catolicidade, afirmou sua continuidade secular com o cristianismo primitivo (o chamado “consenso dos 5 primeiros séculos”) e negou qualquer alteração substancial dessa fé. Contra os puritanos afirmou uma reforma digna de ser levada em conta, e tão importante, ou quem sabe até melhor, que as realizadas pelas igrejas protestantes. Convém recordar, todavia que, em todas essas controvérsias o espírito que reinou foi o da moderação, de um certo pragmatismo, como uma consciência dos limites da mente humana em relação às especulações sobre o transcendente.

Na segunda metade do século XIX o pensamento anglicano se viu obrigado a lidar com os movimentos do evolucionismo, da filosofia imanente e do criticismo bíblico. O simpósio Lux Mundi realizado sobre a liderança de Charles Gore (1853-1932), em 1889, procurou responder a essas inquietudes.

Os eclesiásticos participantes desse encontro procuraram realizar uma síntese entre as idéias do catolicismo anglicano defendidas pelo Movimento de Oxford com as questões científicas, éticas e políticas daquele momento.

O século XIX marcou, dentro da Igreja Anglicana, a idéia de que o espírito católico e reformado que haviam lhe caracterizado poderia ser conciliado com a mentalidade científica moderna. A busca por essa “unidade cristã na diversidade” é o que caracteriza o anglicanismo.

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