Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
Diocese Anglicana do Recife
Comunidade Anglicana da Natividade
Adoração, Comunhão e Serviço
PROPOSTA DO CASF
REV.GECIONNY PINTO,TSSF
1.APRESENTAÇÃO:As atividades anglicanas na comunidade do Jardim Progresso iniciaram em 1997 com o Rev.Severino Abel que implantou o Ponto Missionário Anglicano Jesus de Nazaré que veio a ser a Paróquia Anglicana Jesus de Nazaré que em parceria com a Organização São Félix de Trabalhos Comunitários(OFTC) realizou vários cursos profissionalizantes, alfabetização de adultos e outras ações voltadas para conscientização da população local.Depois o Rev.Rodson Ricardo continuou desenvolvendo ações sacramentais e sociais como oficinas de artes e a caminhada das crianças.Com o afastamento do Rev.Rodson o então Ministro Pastoral Gecionny Pinto juntamente com o Ministro Pastoral Williams Portela assumiu as atividades do então Ponto Missionário Anglicano São Francisco de Assis e desenvolveu atividades sociais e educacionais como oficina da Diaconia sobre DST/AIDS, atendimento médico, aplicação de flúor e corte de cabelo para a comunidade.Em reunião do clero ampliada realizada no dia 15/07/10 decidiu-se a transformação do Ponto Missionário no Centro Anglicano Social Franciscano(CASF) pela questão da maior viabilidade religiosa e social do mesmo.
2.OBJETIVO GERAL: Incentivar a formação cidadã do loteamento do Jardim Progresso, procurando unir fé, ação e política numa dimensão libertadora.
2.1.OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
a)Desenvolver acompanhamento das famílias cadastradas fazendo campanhas diversas para atender as necessidades dos incentivadores através da ação dos voluntários.
b)Mobilizar o grupo para a participação das questões do bairro,através do Conselho Comunitário,associações,escola etc.
c)Buscaremos também estabelecer uma ponte entre as políticas públicas em todos os níveis e a comunidade.
d)Procuraremos ter parceria permanente no Centro Comunitário do bairro.
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Diocese Anglicana do Recife
Comunidade Anglicana da Natividade
Adoração, Comunhão e Serviço
e)Buscaremos mobilizar a comunidade para reivindicar junto aos órgão da Prefeitura e vereadores da Câmara Municipal;
f)Buscaremos parceiras com a Prefeitura, Governo do Estado, Organizações Não Governamentais e com empresas privadas para a promoção de cursos profissionalizantes e geração de renda;
2.POR QUE SERÁ FEITO?Porque acreditamos ser essa a nossa missão em consonância com os valores do Reino de Deus e as cinco vias de missão do anglicanismo e os 14 referências de missão da IEAB e por nossa formação humanista e cidadã.
3.POR QUEM SERÁ FEITO ?Por uma equipe missionária Comunidade Anglicana da Natividade e por todos os que desejarem colaborar com esta missão.
4.QUANDO SERÁ FEITO?Durante o ano segundo semestre de 2010, sendo feito uma avaliação no final do ano, que incluirá um planejamento para 2011 ou o encerramento das atividades.
5.COMO SE FARÁ?Com a presença na comunidade do Ministro Pastoral Williams Portela, do presidente do Conselho Comunitário do Jardim Progresso e da equipe missionária da Comunidade Anglicana da Natividade formada pelo Revdos.Rodson e Gecionny,e pelos seminaristas André e Fernando na preparação dos eventos,na execução de projetos e/ou na organização das ações voluntárias.
6.PRETENDEMOS SEGUIR A SEGUINTE MEDOLOGIA PARA EXECUÇÃO DESTE PROJETO:
1º Convocar e discutir com o bispo diocesano e o clero local a proposta;
2ºLançar o projeto na Paróquia da Natividade e Pto.Missionário da Ressurreição para sensibilização e formação da equipe missionária voluntária;
3ºFazer reuniões na comunidade com as possíveis interessadas no projeto;
4ºBuscar formar uma rede de apoiadores voluntários dos mais variados segmentos;
5ºFazer um levantamento dos bens patrimoniais e dos livros do CASF;
6ºIniciar o projeto com compromisso e organização;
7ºAvaliar o projeto nos seus aspectos positivos e negativos;
Capela Ecumênica do Campus da UFRN – Campus Central - Lagoa Nova – Natal/RN
CEP. 59872-920 – (84) 3661-2059/9943-1406 e 8718-0020/3213-3033.
E-mails: revrodson@hotmail.com/gecionnypinto@hotmail.com
QUATORZE REFERENCIAIS TEOLÓGICOS
PARA A MISSÃO DA IEAB
1. MISSIO DEI
A Missão é Missão do próprio Deus. É Ele quem se sente chamado pelo povo “e desce para livrá-lo”(cf. Ex. 3:7-8). Jesus Cristo, encarnação plena de Deus em nosso mundo, é princípio e modelo da Missão (cf. Jo 20:21-22). É em nome do Filho e na força do Espírito que somos enviados(as) pelo Pai ( cf. Ex. 3:10-13; Is 6:8; Jo 17:16-21).
2. EVANGELIZAÇÃO
A tarefa para a qual somos enviados(as) é a de evangelizar, anunciar as Boas-Novas do Reino de Deus presente entre nós (Cf. Mt.10:7).
3. TESTEMUNHO
Essa tarefa se realiza por atos e palavras, ou seja, pelo testemunho de gestos de amor e de reconciliação, e pela “narração” da história de Jesus ( Cf. Mc. 3:14-15; Lc. 24:25-27; At. 1:1).
4. MINISTÉRIOS
Não se trata de tarefa só do algumas pessoas na Igreja, mas é a tarefa de todo o povo de Deus, dotado para isso, pelo Espírito Santo, de variados dons e ministérios (Cf. Ef 4:11-13).
5. ESPIRITUALIDADE
A atitude de discípulo(a), fundada na consciência de ser enviado(a) para exercer a tarefa do próprio Deus (Missio Dei), é a base da espiritualidade missionária. Não é possível anunciar eficazmente a Boa-Nova se quem evangeliza não experimenta seu poder na própria vida pessoal. Para isso, o exercício da oração contemplativa é particularmente importante (cf. Jo.1:39; Lc. 6:12).
6. COMUNIDADE
A Igreja já proclama o Evangelho por seu próprio ser, quando se constitui em comunidade (koinonia) de irmãos e irmãs. Ela é chamada a ser imagem, “ícone” do Deus Triuno e da humanidade reconciliada (cf. Jo. 17:23).
7. LITURGIA
A Liturgia como ato comunitário de adoração, louvor, ação de graças, confissão e intercessão – especialmente Batismo, Eucaristia, Confirmação, Confissão de pecados, Casamento, assistência a enfermos, enterros – é espaço privilegiado de proclamação e de vivência comunitária, e, consequentemente, expressão concreta, sacramental, do ato de Deus de enviar e de nossa consciência do sermos enviados(as) (cf. 1 Pd 2:9-10).
8. EDUCAÇÃO-FORMAÇÃO-AÇÃO
Para capacitar as pessoas em vista de exercerem a tarefa de evangelização é imprescindível estabelecer processos de formação de líderes, de estudo bíblicos, de educação teológica em geral, e de reciclagem periódica (cf. 2 Tm 4:1-5).
9. SERVIÇO
Toda a tarefa evangelizadora da Igreja tem de ter como método o serviço (diakonia). Por isso, tudo na Igreja se dá através de ministérios litúrgicos, ministérios de ensino, ministérios sócio-políticos (cf. 1 Cor 12).
10. GLOBALIZAÇÃO
Hoje a Igreja deve ter especial preocupação com a reformulação de seus modelos de ação e seus modelos institucionais, frente aos novos desafios que surgem do acelerado processo de urbanização e do “globalização” da civilização (cf. At 11:19-26; 16:9-10).
11. COMUNICAÇÃO
Para exercer sua tarefa de evangelizar, a Igreja necessita comunicar-se adequadamente com as diversas forças sociais. Para isso, é imprescindível estabelecer permanente diálogo com a sociedade tal qual é, e lançar mão dos modernos processos e instrumentos de comunicação (cf. Rm 1:13; At 17:22-23).
12. CONTEXTO
Qualquer processo de comunicação Igreja-Mundo tem de estar alicerçado num outro processo ainda mais fundamental que é o processo da Encarnação. Este assume forma histórica mediante a inculturação pela qual o Evangelho e a realidade da Igreja vão tomando corpo no contexto de cada sociedade e de cada cultura. Por isso, os modelos concretos de Igreja são necessariamente plurais e não podem ser impostos universalmente (cf. Jo 1:14; 1 Cor 9:20-23).
13. CRESCIMENTO
No exercício da tarefa missionária, a Igreja tem em vista não só sua manutenção, mas também seu crescimento. “Crescimento” entendido como amadurecimento no assumir a identidade cristã (“batizando...e ensinando a observar tudo quanto vos tenho ordenado” - cf. Mt 28.20), como compromisso em transformar a sociedade, a si própria e a cada eclesiano(a) (“deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança das suas mentes; assim vocês conhecerão a vontade de Deus, que é boa, perfeita e agradável a ele”- cf. Rm 12.2), e como expansão em número e em território de atuação (“Ide e fazei que todas as nações se tornem discípulos!” - cf. Mt 28:19).
14. CINCO MARCAS ANGLICANA DA MISSÃO
A perspectiva da Missão, conforme as Escrituras do Antigo e do Novo Testamento, é radicalmente profética: a Igreja proclama a graça e o julgamento de Deus para que cada pessoa se torne nova criatura, as estruturas sociais estejam a serviço da justiça, e a criação seja salvaguardada em sua integridade. Por isso, a Missão é integral, holística e ecológica, pois a Igreja é enviada ao mundo e seu olhar se alarga para além de si mesma à totalidade da obra de Deus e a seu futuro escatológico (cf. Ap 21). Em missão, todo o povo de Deus vive as boas-novas do reino de Deus na medida em que: testemunha o amor perdoador, salvador e reconciliador de Cristo para todas as pessoas; constrói comunidades de fé acolhedoras, celebrativas e transformadoras; permanece em solidariedade com os pobres e necessitados; desafia a injustiça, a opressão e a violência; protege, cuida e renova a vida em nosso planeta.
Departamento de Missão da Secretaria Geral da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, junho de 1999.
Cinco marcas da Missão
(Conselho Consultivo Anglicano e Conferência de Lambeth até 1988)
Conforme a visão anglicana, a missão da Igreja consiste na proclamação do
Evangelho, no ensino, no batismo, na formação dos fiéis, na resposta às necessidades humanas
com amor, na busca da transformação das estruturas injustas da sociedade, na luta pela salvaguarda
da integridade da criação, e sustento e renovação da terra. Esses cinco itens da missão
representam ponteiros das áreas da vida em que convivemos uns com os outros movidos pela
compaixão de Cristo, para o seu serviço de Deus e das pessoas e das comunidades.
Proclamar o Evangelho do Reino
Ensinar, batizar e formar os fiéis
Responder às necessidades humanas com amor
Buscar a transformação das estruturas injustas da sociedade
Lutar pela salvaguarda da integridade da criação, sustento e renovação da terra
Cinco marcas revisadas
5. As Cinco Marcas de Missão.
Na sua segunda reunião (Ely, 1996), a MISSIO começou a rever “As Cinco
Marcas de Missão” desenvolvidas pelo Conselho Consultivo Anglicano entre 1984 e 1990. Reconhecemos
com satisfação que as cinco marcas receberam ampla aceitação entre os anglicanos
e forneceram às paróquias e dioceses de todo o mundo uma lista de itens práticos e importantes
para as atividades missionárias.
Entretanto, somos levados a acreditar que, como nossa Comunhão Anglicana
percorre um caminho cuja direção está centralizada na missão, as cinco marcas necessitam de
uma revisão.16
Missão: anunciando as boas novas
A primeira marca de missão, identificada pelo CCA-6 como evangelização
pessoal, é de fato um resumo de tudo o que a missão é, porque está baseado no próprio resumo
de Jesus sobre sua missão (Mateus 4:17; Marcos 1:14-15; Lucas 4:18: Lucas 7:22: cf. João 3:14-17).
Em vez de ser apenas uma (embora a primeira) das cinco diferentes atividades, ela deveria ser a
declaração chave sobre tudo o que fazemos como missão.
Missão no contexto
Toda missão é feita num determinado lugar - o contexto. Por isso, mesmo
havendo uma unidade fundamental nas boas novas, elas são modeladas pela grande diversidade
de lugares, de tempo e de culturas em que as vivemos, proclamamos e incorporamos. As
cinco marcas não devem nos levar a pensar que há somente cinco marcas de fazer missão.
Missão como celebração e ação de graças
Uma importante característica do Anglicanismo é a nossa crença de que a
adoração é o ponto central de nossa vida comunitária. Mas a adoração não é algo que fazemos
apenas quando testemunhamos as boas novas: a adoração é em si mesma um testemunho para
o mundo. Ela é um sinal de que tudo na vida é santo, que a esperança e significado podem ser
encontrados no oferecimento de nós mesmos a Deus (cf. Romanos 12:1). Sempre que celebramos
a eucaristia, proclamamos a morte de Cristo até que Ele venha (I Coríntios 11:26). Nossa
vida litúrgica tem uma dimensão vital para o nosso chamado à missão. Embora não esteja incluída
na lista das Cinco Marcas, ela está subentendida nas formas de testemunho público ali relacionadas.
Missão como igreja
As Cinco Marcas sublinham o fazer missão. A fidelidade de ação é a medida
de nossa resposta a Cristo (cf. Mateus 25:31-46; Tiago 2:14-26). Entretanto, o desafio que se nos
apresenta não é só fazer missão, mas ser povo de missão, isto é, aprender a permitir que cada
dimensão da vida da igreja seja modelada e dirigida por nossa identidade como sinal, como antecipação
e como instrumento do reino de Deus em Cristo. Nossa compreensão de missão deve
deixar isso bem claro.
Missão como Deus em ação
“A missão parte de Deus. Missão é a maneira de Deus amar e salvar o mundo...
Assim, a missão nunca é invenção ou escolha nossa” (Conferência de Lambeth de 1998, Seção
II, parte inserida na última edição do relatório). A iniciativa da missão é de Deus e não nossa.
Nós somos simplesmente chamados a servir na missão de Deus, vivendo e proclamando as
boas novas. As Cinco Marcas de Missão deixam isso claro.
5.1 As Cinco Marcas de Missão e depois
Recomendamos a todas as províncias (e suas dioceses) o desafio de desenvolver
ou revisar sua própria compreensão de missão. Sugerimos duas maneiras possíveis a
seguir:
• As Cinco Marcas podem ser revisadas para acrescentar comentários semelhantes aos mencionados
acima. Isso tem a vantagem de conservar o modelo familiar das Cinco Marcas
• De maneira alternativa, uma declaração holística dos atos de missão pode ser fortalecida
pela definição de uma compreensão da natureza da missão. Isso afirmaria a solene responsabilidade
de cada igreja local no sentido de discernir como ela deve servir mais fielmente a missão
de Deus em seu contexto. Um exemplo dessa compreensão é dada a seguir:
Missão é o ato criador, reconciliador e transformador de Deus, fluindo da comunidade
de amor, fundamentado na Trindade, feito conhecido a toda a humanidade na pessoa
de Jesus, confiado à fiel ação e testemunho do povo de Deus, que no poder do Espírito é sinal,
antecipação e instrumento do reino de Deus (Adaptado de uma declaração da Comissão de Missão
do Conselho Nacional de Igrejas da Austrália).
As Cinco Marcas de Missão (revisadas)
Na missão, todo o povo de Deus vive as boas novas do reino de Deus quando
• testemunha para todo o povo o amor de Cristo, que reconcilia, salva e perdoa;
• constrói comunidades de fé, que acolhe, celebra e transforma;
• é solidário com os pobres e necessitados;
• desafia a injustiça, a opressão e a violência;
• protege, preserva e renova a vida em nosso planeta.
Sejam quais forem às palavras ou idéias que as expressões locais de nossas
igrejas usem, a MISSIO espera que elas sejam instruídas por três convicções:
• Estamos unidos pelo compromisso de servir a missão transformadora de Deus;
• A missão é o alicerce de tudo o que somos, fazemos e dizemos como povo de Deus;
• Nossa fidelidade à missão se expressa numa grande diversidade de modelos de missão,
estratégias e práticas.
Se você perguntasse às pessoas em posição de liderança na sua província (diocese ou
paróquia) se elas consideram a missão como “o alicerce de tudo quanto somos, fazemos
e dizemos como povo de Deus”, o que você pensa que elas responderiam?
6. Crescimento da igreja e missão anglicana.
Em todas as nossas quatro reuniões, em quatro diferentes lugares do mundo,
temos nos alegrado ao ouvir relatos sobre crescimento de igrejas locais. Nós mesmos vimos
comunidades adorando, servindo e proclamando - as vezes, em condições precárias, num contexto
de oposição, indiferença e extrema pobreza. Temos nos sentido humilhados por sua coragem
e perseverança.
Temos notado que entre alguns anglicanos, “o crescimento” é às vezes medido
pelo número de novas paróquias ou dioceses, que são criadas. Às vezes, esta ênfase dá a
impressão, talvez não intencional, de que os números são o primeiro critério de crescimento. O
crescimento em números, às vezes, é esperado como um dos frutos do testemunho fiel. Durante
a nossa reunião em Zimbabwe, pudemos sentir a beleza da adoração em grandes congregações
anglicanas, cuja música e dança nos deixaram sem respiração.
Entretanto, a todos os que participam do nosso compromisso da missão de
Deus, apresentamos duas notas de preocupação sobre a ênfase indevida nos números (quer de
pessoas, paróquias ou dioceses) para alcançar o crescimento da igreja:
1. Esperamos que a ênfase nos números de novas paróquias e dioceses seja acompanhada por
uma atenção à qualidade do crescimento verificado. O crescimento da igreja tem a ver também
com um compromisso mais profundo, uma espiritualidade mais madura, uma disciplina apostólica
mais corajosa, e fidelidade na adoração, no serviço, no testemunho, etc.
2. Esperamos que a ênfase no crescimento como “extensão da igreja” - que tem sido uma prática
missionária predominante na história do Anglicanismo - não esconda um imperialismo denominacional.
A missão de Deus não significa a expansão triunfante de uma igreja em particular,
nem é necessariamente completada pela criação de mais e mais paróquias anglicanas. Missão é
o testemunho de todo o povo de Deus às boas novas conhecidas em Cristo. Por isso, convidamos
as nossas províncias e agências missionárias, cuja energia é dedicada ao estabelecimento
de igrejas, a examinar sua abordagem e prioridades, e buscar formas para se engajar naquele
tipo de missão que edifique a unidade do santo, universal e apostólico povo de Deus, e assim
deixá-lo livre para se envolver no mundo ao seu redor.
Que idéia (ou idéias) de “crescimento” existe em sua situação? Se lhe perguntassem “de
que maneira a sua igreja está crescendo”, como você responderia?
7. Filiação anglicana e senso de pertencer
Pertencer é um tema que MISSIO considera importante em qualquer discussão
sobre missão. Por exemplo, os bispos da Seção II da Conferência de Lambeth de 1998 tomaram
conhecimento da Comunidade de Iona, na Escócia, com seu forte senso de missão ecumênica,
combinado com uma forte espiritualidade encarnada. Parece que ela preenche a necessidade,
sentida particularmente entre o povo do Ocidente, por mais intimidade, mais reciprocidade
e relações mais pessoais na comunidade.17
Os jovens, em particular, não são atraídos pela filiação à igreja tradicional.
Surge então a pergunta: que tipo de filiação é adequado para a igreja? Existe apenas uma forma
de filiação?18 Claro que uma igreja de missão precisa oferecer um senso de comunidade e filiação
que seja mais satisfatório e envolvente do que a filiação institucional.
As duas ilustrações estão baseadas na importante declaração sobre unidade,
adotada pela 7a Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas (Camberra, 1991). Intitulada “A Unidade
da Igreja Como Koinonia: Dom e Chamado”, a declaração desafia as igrejas a tomarem
enérgicos passos em companheirismo. Duas questões surgem aqui para os anglicanos. Há limites
para a diversidade? Como podemos conservar a fraternidade com aqueles que não podem
aceitar os pontos de vista dos outros? Considerando que não há respostas fáceis, essas questões
nos estimulam a ficar atentos ao fato de que o ponto central da koinonia ou da comunhão é
a vida com o Pai por meio de Jesus Cristo no Espírito Santo. Esta é a mais profunda comunhão
possível para qualquer criatura de Deus.19 Os cristãos estão vinculados a Deus por “uma missão
comum, testemunhando para todos os povos o evangelho da graça de Deus e servindo a toda a
criação”.20
Pertencemos uns aos outros em Deus. O desafio da missão é trazer os outros
a experimentar esta mesma qualidade de pertencer ou koinonia.
Quando as pessoas se filiam a uma paróquia anglicana em seu contexto, que tipo de “filiação”
é oferecido? Que procedimentos ou estruturas você dispõe para ajudar na integração
de novos membros na koinonia (apoio, partilha, cuidado mútuo, solidariedade) da
igreja?
7.1 A igreja como sal e sabor
Existem algumas situações em que a missão cristã é conduzida como se fosse
uma campanha militar, onde a conquista e a vitória são as imagens dominantes do crescimento
da igreja. Isso obriga alguns membros da MISSIO a pensar o que significa pertencer à
igreja.
O bispo Jubal Neves, do Brasil e membro da MISSIO, pondera sobre essa
questão da seguinte maneira:
No passado (por meio das Cruzadas, Inquisição e proselitismo estatal), a igreja
estava ocupada em batizar as pessoas como condição para ser membro da igreja e alcançar a
salvação. Mesmo nos dias de hoje, algumas igrejas mantém companhas ou cruzadas para encher
os seus bancos. Esta visão olha a igreja como um lugar para evitar a condenação eterna e
alcançar a felicidade eterna. Nesta perspectiva, o crescimento da igreja é medido pelo número
de membros, que são considerados como clientes. Ser “massa” aparentemente é mais importante
do que ser “fermento” (Mateus 13:33).
Esta é uma tentação contra a qual precisamos resistir. Aderir ao plano de
Deus é mais importante do que pertencer a uma igreja. Obedecer ao chamado de Deus para a
justiça e o serviço é maior do que a questão dos números nos bancos (cf. Isaías 65:14-21; Lucas
4:17-25). A igreja não é mais uma simples arca de salvação, mas o agente de Deus da missão no
mundo. A liturgia deve expressar, como celebração, a ação de minha fé numa sociedade que se
transforma, da igreja e de nós mesmos. Precisamos, portanto, recuperar a imagem do fermento,
de ser o sal, a luz e a semente de mostarda. Este é o verdadeiro significado da catolicidade da
igreja. Com relação aos números, é importante considerar o compromisso e a maturidade da
comunidade eclesial, de acordo com o seu contexto.
Em vez de gastar tempo em domesticar novos crentes, a igreja deve se lembrar
de sua vocação de ser sinal, antecipação e instrumento da missão de Deus. Nesse sentido,
os leigos, o povo da congregação local, estão na linha de frente. As estruturas da igreja e o ministério
ordenado existem para preparar, animar e facilitar a qualidade de vida da igreja e não
simplesmente procurar desesperadamente aumentar o número de membros. Este ministério é
convocado como instrumento para fortalecer a missão, a fim de transformar os reinos deste
mundo no reino de Deus (cf. Apocalipse 11:15). A comunidade cristã é uma espécie de forçatarefa
para atuar pela transformação das estruturas deste mundo, de modo que o reino de Deus
se transforme numa dádiva presente aqui e agora na história.
A questão chave aqui é “solidariedade-participação” em vez de “autoridadeobediência”.
Nesta igreja do novo milênio, somos convidados não tanto para sermos bem sucedidos,
mas para sermos obedientes a Cristo (João 20:21: Mateus 25:34ss).
Portanto, a vocação da igreja em nossos dias é trabalhar pela transformação
do povo e da sociedade. É nossa oportunidade para servir, celebrar e transformar como seguidores
de Jesus. Nosso objetivo não é colher, mas semear. Seremos conhecidos pelos nossos frutos
(Lucas 6:44; Mateus 7:20-21) e somente Deus julgará.
Nessa perspectiva, podemos começar a entender o que significa pertencer à
igreja. Há muitas maneiras de pertencer e somente Deus pode julgá-las. Enquanto isso, “sede
misericordiosos como é misericordioso vosso Pai” (Lucas 6:36), porque a fé cristã é mais parecida
a uma nova relação do que uma religião (Mateus 25; I João 21).
Na sua experiência, o que as paróquias em seu contexto enfatizam mais: pertencer a uma
comunidade solidária e participativa ou a uma instituição de autoridade e obediência?
8. Companheiros em missão
Em outro lugar deste relatório, notamos as mudanças que aconteceram nos
padrões e estruturas de missão na Comunhão Anglicana nas últimas décadas. Aqui desejamos
sugerir que estas mudanças - por exemplo, o decrescente uso das consultas Companheiros em
Missão - nos dão as oportunidade de refletir sobre os fundamentos de nossas relações na Comunhão
Anglicana. Achamos que é chegado o tempo de mudar o foco de nossas relações de
companheirismo que, em muitos casos, tem se caracterizado por uma relação de negócios com
programas e prioridades financeiras, para uma parceria que atenda como prioridade as relações
de participação em solidariedade.
Notamos de passagem que uma versão modificada do modelo ecumênico
“mesa redonda” de conferências, que incorporam muitos dos princípios do processo de CEM,
oferece um possível novo caminho para o futuro. Parceiros em tal modelo não são observadores
ou comentaristas, mas participantes de fato. Uma conferência piloto do tipo “mesa redonda” está
planejada para a quadra da Páscoa em 2000, na região abrangida pelo Conselho Anglicano do
Pacífico Sul. Isso deverá se desenvolver mais do que o processo de consulta de CEM.
Reveja as relações de companheirismo ou parceria na sua província (diocese ou paróquia)
e em outras partes da Comunhão Anglicana. Quais são as principais características destas
relações? Quanta energia é empregada na troca de pessoal e recursos para a missão
e o ministério? Que lugar ocupam as questões financeiras?
9. “Povos ainda não atingidos”
Desde sua primeira reunião, a MISSIO vem se preocupando com a questão
da evangelização dos povos que ainda não ouviram o evangelho. Entretanto, desejamos sublinhar
que existem “povos ainda não atingidos” em muitos diferentes contextos, e não apenas
naquelas partes do mundo que alguns descrevem como “janela 10/14”. Estas comunidades existem
em muitas províncias anglicanas, inclusive em sociedades consideradas “cristãs”.
Desejamos também afirmar que, em primeiro lugar, a responsabilidade de
levar o evangelho a estas comunidades pertence mais à igreja local do que a missionários vindos
de outro contexto. Certamente, a igreja local merece apoio da igreja maior, porque somos
todos companheiros na missão de Deus em qualquer lugar e para qualquer lugar.
Como anglicanos, precisamos nos assegurar de que o nosso testemunho
entre “os povos ainda não atingidos” seja totalmente encarnacional, expresso pela presença que
identifique sua cultura e sua linguagem, e pela proclamação que, de maneira sensível, expresse
a fé cristã em termos que possa ser ouvida e dela se apropriarem (Veja também as duas seções
abaixo sobre “evangelho, igreja e cultura” e “Missão cristã e outras fés”). Se uma nova igreja
anglicana for estabelecida em tal comunidade, queremos nos assegurar de que ela estará ligada
à igreja universal por meio do ministério episcopal.
O desafio que a MISSIO coloca diante de cada província da Comunhão Anglicana
é identificar áreas onde há pouca ou nenhuma presença cristã, buscar meios de se envolver
na missão ecumenicamente nessas áreas e descobrir a forma mais apropriada para esta
missão.
Que tipo de pessoas ou comunidades na sua situação podem ser descritos como “não
atingidos”? O que seriam as boas novas para eles?
10. Evangelho, igreja e cultura
Embora existam valores e verdades inegáveis em qualquer tradição cultural e
espiritual, eles precisam ser avaliados à luz do ensino bíblico, segundo o qual todos os seres
humanos estão profundamente envolvidos com o pecado pessoal e coletivo. Há, portanto, necessidade
de discernimento, para que tenhamos condições de distinguir o bem, o belo e o verdadeiro
do mal, do feio e do falso. Para o cristão, os atos salvadores de Deus, na forma em que
estão registrados nas Escrituras, especialmente os atos salvadores em Cristo, fornecem os critérios
necessários para esse discernimento.
... A verdade em cada tradição tem “pontos adicionais” com o evangelho, de
modo que, quando é proclamado numa determinada cultura, possa ser compreendido e apropriado.
É desta maneira que o exercício da “razão’ deve ser entendido atualmente. O evangelho
tem a capacidade de se tornar compreensível para o povo de qualquer tradição intelectual, de
qualquer concepção de mundo ou crença espiritual.
... As Escrituras e os Pais Apostólicos ensinam que é da vontade de Deus que
todas as coisas tenham o seu cumprimento (anakephalaiosis) em Cristo (Efésios 1:10 e Irineu).
Isso é particularmente verdade com relação às autênticas compreensões e aspirações espirituais
de quaisquer culturas e tradições.22
Dez pontos – Titus Presler, Horizons of Mission (2001)
Proclamar o Evangelho com confiança batismal
Servir como sacramento de Cristo no relacionamento
Viver como companheiros em solidariedade com o sofrimento
Receber o Cristo com peregrinos com outros
Nutrir o todo humano nas comunidades de base
Lutar pela justiça, reconciliação e paz
Colaborar com outros Igrejas e grupos cristãos
Explorar a expressão do Evangelho em diversas culturas
Cooperar com gene de outras religiões
Celebrar a comunidade eucarística